
Wagner Nabuco, diretor-geral da publicação, alegou “quebra de confiança” nos trabalhadores que iniciaram a paralisação no dia 8 após ameaça de demissão em massa
11/03/2013
Michelle Amaral,
da Redação
A equipe de redação da Revista Caros Amigos, que realizava uma greve desde a última sexta-feira (8), foi demitida. Em reunião nesta segunda-feira (11) com os editores, jornalistas e designers gráficos, o diretor-geral da publicação Wagner Nabuco argumentou “quebra de confiança” nos profissionais em greve.
A jornalista Gabriela Moncau afirma que os integrantes da redação foram convocados por Nabuco através de um e-mail, no domingo (10), para a reunião desta segunda. “A gente tinha a perspectiva de que fosse uma reunião para conversar sobre a situação da revista, mas não foi isso que aconteceu, ele demitiu a todos”, conta.
A paralisação foi iniciada após o anúncio de um corte de 50% na folha de pagamento da redação, que passaria de R$ 32 mil para R$ 16 mil. Segundo a jornalista, o anúncio foi uma surpresa para todos da equipe. “Foi um comunicado, não foi um convite à conversa para falar sobre a situação financeira da revista e ver como coletivamente a gente podia resolver essa situação”, afirma.
Conforme Gabriela, a decisão pela greve foi tomada devido à falta de diálogo da administração com os trabalhadores após o anúncio do corte na folha de pagamento. “A gente achou que a greve era a única forma de pressionarmos para uma conversa para evitar que boa parte da revista fosse demitida sumariamente”, explica.
De acordo com nota divulgada pelos jornalistas, o diretor-geral justificou o corte na folha de pagamento “devido ao pagamento de dívidas fiscais acumuladas desde o ano 2000 e ao déficit operacional entre receitas da editora e custos fixos, incluindo os nossos (baixos) salários”.
Gabriela disse que a equipe de redação nunca teve acesso às contas da revista, que é mantida principalmente por anúncios, além da venda em bancas e assinaturas. Apesar disso, a jornalista afirma que, no último período, os profissionais se prontificaram a tentar ajudar a melhorar as condições financeiras da revista com a realização de mais edições especiais para serem vendidas nas bancas. “Existem uma série de alternativas para a gente tentar melhorar a situação financeira da revista”, completa.
Ela relata que desde a divulgação da nota sobre a greve na sexta-feira (8), a equipe recebeu diversas manifestações de solidariedade. Nesse sentido, acredita que alternativas como a publicização da crise financeira e a criação de uma campanha para ajudar a revista poderiam ser tomadas para que não fossem necessárias as demissões dos profissionais. “A gente compreende que existem dificuldades financeiras na Revista Caros Amigos, como existem dificuldades financeiras em uma série de outras publicações. Mas isso não justifica que as condições de trabalho sejam cada vez mais precarizadas”, argumenta.
Precarização
Na nota divulgada na sexta-feira (8), os integrantes da equipe denunciaram “a crescente precarização das nossas condições de trabalho, seja pela ausência de registro na carteira profissional, o não recolhimento das contribuições do FGTS e do INSS, e, agora, o agravamento da situação pela ameaça concreta de corte da folha salarial em 50%, com a demissão de boa parte da equipe”.
No entanto, conforme ela, a redação mantinha um diálogo permanente com a administração da Caros Amigos a fim de melhorar as condições de trabalho, com alguns pequenos avanços no que diz respeito ao salário - ainda assim pago abaixo do piso da categoria de R$ 3.504,29 para 7 horas diárias. “Desde 2009, que foi quando essa equipe que há na redação hoje começou a ser montada, a gente tem se organizado para conversar com o diretor-geral da revista para ir gradativamente melhorando as nossas condições de trabalho”, conta.
Segundo a jornalista, a equipe de redação sempre teve dificuldades com relação a essas questões trabalhistas. “A gente nunca chegou a ganhar acima do piso ou teve perspectivas de registro [em carteira]”, afirma.
Veja nota sobre a demissão em massa divulgada pelos trabalhadores:
DIRETOR DA CAROS AMIGOS DEMITE EQUIPE DA REDAÇÃO EM GREVE
O diretor-geral da revista Caros Amigos, Wagner Nabuco, chamou hoje (11/03/2013) a equipe de redação e anunciou que a empresa está demitindo todos os trabalhadores que se encontravam em greve desde sexta-feira, dia 08/03, alegando "quebra de confiança".
Nós, integrantes da equipe de redação da revista Caros Amigos - responsáveis diretos pela publicação da edição mensal, o site Caros Amigos, as edições especiais e encartes da Editora Casa Amarela - lamentamos a decisão da Direção. Consideramos a precarização do trabalho e a atitude unilateral como passos para trás no fortalecimento do projeto editorial da revista, que sempre se colocou como uma publicação independente, de jornalismo crítico e de qualidade, apoiando por diversas vezes, inclusive, a luta de trabalhadores de outras áreas contra a precarização no mercado de trabalho.
A greve é um instrumento legal, previsto na Constituição brasileira e direito de todos os trabalhadores. Foi adotada como medida para tentar melhorar as condições de trabalho na revista e foi precedida por uma série de incansáveis diálogos por parte desta equipe, desde que ela começou a ser montada em 2009. As tentativas foram sempre no sentido de atingir o piso salarial para todos os profissionais, encerrar os atrasos no pagamento dos salários e direitos como férias e 13º, que nos atingiram por mais de uma vez, de conquistar o registro dos funcionários fixos e uma melhor relação com colaboradores freelancers, que também convivem e conviveram com baixas remunerações e atrasos nos pagamentos.
Diante de alegações por parte da direção sobre dificuldades financeiras vividas pela empresa por se tratar de uma publicação alternativa, convivemos com salários mais baixos que os pisos e os praticados pelo mercado, e também com a inexistência de muitos direitos trabalhistas. Aceitamos negociar gradativamente a correção desses problemas de forma a fazer com que a Caros Amigos, "a primeira à esquerda", não se tornasse agente de exploração de seus funcionários e avançasse nessa frente conforme suas possibilidades. Trabalhamos para ampliar a receita da empresa, seja pelo prestígio do trabalho realizado, muitas vezes premiado, seja pelo aumento do trabalho em forma de outras publicações como especiais e encartes.
Em todos os anos entre 2009 e 2013, mantivemos o diálogo salutar com a Direção, buscando negociar melhores condições para desenvolvermos o trabalho com o qual estávamos comprometidos. Isso foi feito por meio de cartas de toda a redação à direção, conversas de comissões da redação com a direção e inúmeras negociações entre o editor-chefe e diretor-geral.
Apesar de todos nossos esforços em construir uma boa relação interna, fomos pegos de surpresa com o anúncio de corte da folha salarial em 50%, com a demissão de boa parte da equipe ou redução do salário dos 11 funcionários de 32 mil pra 16 mil ao todo, conforme relatado em nota divulgada na data de anúncio da greve e que segue novamente ao final desta.
O anúncio de medida drástica que atinge diretamente os trabalhadores foi feito em forma de comunicado pelo diretor-geral, sem margem para negociação. Ainda buscamos pelo diálogo reverter o problema junto à direção por uma semana. Sem margem para conversa, recorremos à paralisação como forma de ampliarmos nossas vozes, mas fomos surpreendidos mais uma vez com o comunicado da demissão coletiva.
Nossa luta não é - e nunca foi - contra a revista Caros Amigos. Pelo contrario, reforçamos a importância de publicações contra-hegemônicas e críticas em um cenário difícil para a democratização da comunicação no Brasil, que cerceia a variedade de vozes. Nossa luta é, portanto, para o fortalecimento e a coerência de um veículo fundamental do qual sempre tivemos o maior orgulho de participar.
Vimos a público lamentar profundamente que essa crise provocada pela direção venha causar sérios prejuízos ao projeto editorial da Caros Amigos, que contou por todos esses anos com nossa dedicação.
Saímos desse espaço de forma digna diante de uma situação que tornou a greve inevitável, na esperança que nossos apelos sirvam de acúmulo para o futuro da Caros Amigos de modo que ela se torne exemplo não só no campo editorial, mas nas relações que mantém com seus funcionários e colaboradores. Esperamos que o compromisso assumido com colaboradores durante a gestão dessa equipe seja louvado e que eles recebam seus pagamentos sem atrasos. Também que sejam honrados nossos diretos trabalhistas.
Agradecemos todos que se solidarizaram com nossa situação e os que seguirão nos apoiando nessa nova etapa. Esperamos que esta experiência sirva de acúmulo e motivo de debate sobre a precarização, o achatamento de salários, a piora nas condições de trabalho e atitudes patronais - que existem tanto em empresas da grande imprensa quanto nas da contra-hegemônica - no sentido de buscarmos melhores condições para todos exercerem suas profissões. Por fim, esperamos que o exemplo comece pela imprensa contra-hegemônica com a correção de práticas como esta.
São Paulo, 11 de março de 2013.
01 - Alexandre Bazzan
02 - Caio Zinet
03 - Cecília Luedemann
04 - Débora Prado
05 - Eliane Parmezani
06 - Gabriela Moncau
07 - Gilberto Breyne
08 - Hamilton Octavio de Souza
09 - Otávio Nagoya
10 – Paula Salati
11 - Ricardo Palamartchuk
Comentários
LIMÃO ...LIMONADA
Negociar é preciso ...é coerência com tudo por que lutamos !E o fim da negociação ....Quem sabe uma cooperativa dos empregados assuma a Caros Amigos ... que tem um patrimônio imaterial enorme ... que conta com a solidariedade de muitos ... leitores e cidadãos ...Tem muito capital humano e ético a mobilizar-se !Solidariamente,Domingos José D'Amico
O que é isso companheiro,belo
O que é isso companheiro,belo exemplo de esquerda FACISTA,NAO É MUITO DIFERENTE DO PIG!!
Se duvidar...
Se duvidar, a "grande imprensa", "imprensa burguesa", "imprensa hegemônica", "PIG" ou que nome se queira dar, trata melhor seus trabalhadores do que patrão "companheiro".
Qual é a revista que demite
Qual é a revista que demite grevista, gente? É a revista do partido emergente! PSOL demite grevista e ainda nem é governo ... putz ... e quer verba do governo federal!!!
Assim eu também viro jornalista! Me dá um dinheiro aí ...
Na hora de defender greve ilimitada no serviço público eles apóiam. Quando é com
eles, demitem. Bacana! Socialismo (de mentirinha) e Liberdade (de demitir grevista).
A esquerda da direita ou a direita da direita?
É lamentável obter tal noticia vinde de uma revista que se diz de esquerda, e que a toda edição há inumeras matérias fazendo denuncia sobre diferentes explorações: sexual, trabalista, política, etc. Mas como é o retatrato da história, os trabalhadores/as sempre foram perguidos quando quiseram rebelar contra o patrão - ou sistema escravocrata. Deste modo, com a caros amigos não seria diferente. Talvés o erro foi acreditar que existiu uma revista à esquerda. Diante desse fato, mais que nunca a leitura do livro a "Revolução do Bichos" se faz necessário para entender melhor tal cenário. As trabalhadores e trabalhadores grevistas fica aqui meu forte abraço, e minha maior admiração. Ao diretor da revista Caros Amigos fica meu descaso.
Demissão na Caros Amigos
Tenho a Caros Amigos desde a nº 01. Sempre fui assinante. Entristeço com a notícia. Vai tudo para meu arquivo junto com Opinião, Pasquim, Em Debates, Movimento, Versus, O Saco, e tantas moutras revista da esquerda brasileira que guardo com tanto carinho e me servem de fonte de informação. Vai uma e vem outras nesse cenário de incertezas e incredulidades...Itabuna-Ba baq
demissão na Caros Amigos
Totalmente solidário com @s companheir@s jornalistas e suas demandas. Lamento demissões, se assim forem concretizadas. Reconhecendo as dificuldades de harmonizar discuso e prática, questões esconômicas/financeiras devem ser, no caso superadas com as necessárias práticas dialógicas e democráticas.Prejuízo para tod@s nós que defendemos a informação e as relações democráticas e transparentes. Força na luta. Mias uma vez me solidarizo com as companheirada, onze que assinam a carta.Diretores da Caros Amigos, afinem o discurso, dialoguem, sob pena de perdermos mais uma para a mídia grande.
Que engraçado
É bacana exigir que o pequeno empresário arque com uma legislação trabalhista absurda, como se ele fosse um industrial do século XIX, e não mais um coitado de classe média que tem que suar para sustentar também sua família, só que sem direito a férias, décimo terceiro ou fim de semana remunerado. É bacana que, se fazendo isso, se impeça a criação de empregos, se impeça o pagamento de salários mais altos, se impeça o aprimoramento da concorrência, barrando assim a livre circulação de bens, impedindo que o cidadão tenha sempre um produto bom a sua disposição a um preço baixo.Só o que não é bacana é que esses mesmos desgraçados que atravancam o desenvolvimento do país e matêm o trabalhador na eterna posição de escravo e dependente do Estado paguem a seus empregados o que devem em direitos trabalhistas. Pouco me surpreende que uma situação dessas venha de um veículo de esquerda, a esquerda elitista e hipócrita, que odeia o povão. A esquerda que diz defender o trabalhador, mas tudo o que faz é prejudicá-lo em todos os aspectos.Bem feito. Em casa de ferreiro o espeto é de pau.
hipócrita é vossa senhoria
"nick", vá cagar no mato!
Custo a crer que tal fato
Custo a crer que tal fato tenha/esteja ocorrendo; logo a Caros Amigos, revista cuja aquisição é pra mim quase um ato sagrado, pela proposta editorial contra hegemônica, defesa das causas dos excluídos, pela qualidade das matérias e dos jornalistas que a fazem, muitos dos quais se tornaram como que "parentes" desse leitor pela identificação e empatia que transmitem em suas matérias, sobretudo alguns dos demitidos; rogo para que uma solução seja construída o mais breve possível e que o verdadeiro estorvo pra continuidade da revista seja removido; solidariedade aos jornalistas e colaboradores.
Demissão de jornalistas na Caros Amigos
Episódio lamentável! Solidariedade às lutadoras e lutadores jornalistas da Revista Caros Amigos. Ninguém pode ser punido por defender seus direitos. Como assinante, demonstro minha indignação e, dependendo do desfecho desta triste história, irei repensar se continuarei assinando a referida revista.
Demissões na Caros Amigos
A demissão dos funcionários da redação da Caros Amigos, da forma noticiada, leva à quebra da credibilidade da revista pelos leitores, verdadeiros parceiros da publicação. Ou as partes em conflito se sentam para reavaliar a decisão ou dificilmente a revista conseguirá sobreviver como alternativa à mídia oligopolizada. De todo modo, é lamentável a notícia. Louve-se o Brasil de Fato que, corajosamente, abriu ao público um problema que afeta basicamente a esquerda brasileira.
Sou leitor da Caros Amigos há
Sou leitor da Caros Amigos há mais de 10 anos (desde o Fórum Social Mundial de 2002). Sinto-me extremamente abalado com a demissão ocorrida desta maneira, uma vez que a revista e seus jornalistas julgo que representam uma das principais e pioneiras - no período pós democratização - publicações e equipe representantes de um jornalismo independente e autônomo no país. Além disso a revista foi essencial na minha formação política-intelectual. Penso que a imprensa crítica perde com essa notícia. Solidariedade a equipe de jornalistas da revista!
Demissão na Caros Amigos
Essa notícia muito me entristece. Sou leitor da Caros Amigos desde há muito; aprendi muita coisa com o saudoso Aloysio Biondi e tantos outros que passaram pela redação da revista, já me utilizei de artigos nela publicados para defender meus pontos de vista que materializavam-se em suas páginas e sempre recomendei a leitura e assinatura para muitas pessoas com o argumento de ser ela uma das poucas publicações a fazer frente aos "penas pagas" das grandes publicações brasileiras. Recentemente renovei a assinatura, até com certo sacrifício, com o objetivo maior, claro, de ficar bem informado mas não menor no que diz respeito à sobrevivência da revista, de seus colaboradores (colaboradores, sim, pois sei que muitos trabalham com salários bem abaixo daqueles pagos nas grandes publicações, apesar de serem profissionais de alto nível), para não deixar a voz discordante se calar. E agora como é que fica a defesa, intransigente, dos direitos dos trabalhadores, entre outras bandeiras defendidas pela revista?
Sinceramente
Sinceramente, votei no PT em 2010 e em 2012 por acreditar que o trabalho que estavam fazendo era o mais correto. Fiz campanha, botei a cara à tapa no Facebook quando o Serra partiu forte para o Segundo Turno contra a Dilma, mas este é o tipo de notícia que nos faz refletir. Prá quê nos esguelarmos, nos expormos perante amigos e empregadores (elite) se o próprio governo não faz a sua parte? Cadê a parte do governo Dilma em informar o povo da forma correta?
Sinceramente, dá desgosto de lutar por um Governo destes que nem sabe se comunicar com os eleitores.
Incoerência da revista
Lamentável saber que uma revista aparentemente diferente, age de forma tão autoritária com os recursos humanos que fazem dela um diferencial.Não entendo porque não fizeram campanhas de assinaturas etc, ao invés de sufocar de forma tão violenta a justa luta dos qualificados e abnegados trabalhadores! Gostaria de entender uma coisa: Uma vez fui convidado a fazer a assinatura desta revista. Mas, ao calcular o valor dela na banca e quantidade de unidades que teria pela assinatura, descobri que ela era a ÚNICA (talvez esteja enganado) revista cuja assinatura fica mais cara que comprar a unidade!!!! As assinaturas aumentam a veiculação e fidelidade, possibilitando ainda (e principalmente) o adiantamento do pagamento pela compra. Por que esta revista tem esta política às inversas de assinatura??A gestão é mal feita e depois, como sempre foi, é e será, quem paga a conta são os trabalhadores, que não recebem o que lhes é de direito! Abaixo esta revista incoerente (ou não, pois age de acordo com os ex-socialistas, agora no "puder")!
Que coisa, não?
é, no mínimo, inusitado ler que uma revista de ESQUERDA demitiu funcionários em greve. Só vale pros outros, né? VIVA AO CAPITALISMO! Nada mais a declarar.
A última à direita.
"Amigos, amigos, negócios à parte." Nada difere do comportamento dos demais donos. Leitores de publicações assim segmentadas devem saber que as dificuldades dos proprietários sempre recairão, no corte político ou financeiro, sobre os trabalhadores, como em qualquer fabriqueta de esquina ou magazine de fim de linha... Democracia editorial até que cessem lucros e iniciem as perdas. Filme antigo, já desbotado de cor de tão rodado, E que pérola essa aqui, gente: “...devido ao pagamento de dívidas fiscais acumuladas desde o ano 2000..."
Marx tinha razão?
Se Marx tinha razão que os patrões representarm o capital numa luta incessante de vida ou morte entre os concorrentes, os trabalhadores são sempre descartáveis. Todos ao final precisam de um lugar ao sol, ou vender revistas, lisvros, mesmo que sejam de esquerda. Ao entrar no mercado, submete-se à sua lógica, mesmo criticando-o. Até porque o "mercado de esquerda" tambémestá aquecido.Solidariedade aos demitidos.
Triste notícia!!
Por favor reconsiderem! Encontrem acertos, arranjos, arrumação qualquer que possa manter a revista e sua equipe. É fundamental a existencia desta revista e de sua proposta associada a equipe que nela trabalha. O Brasil precisa da coragem de vocês todos. Que se faça o entendimentos para a continuidade das luzes que esta revista e sua atual equipe trazem.
Quebra de confiança
Quebra de confiança por parte de quem, caro amigo!A esquerda é igual a direita, quem manda pode.Lamentável.Readmitam esses funcionários e lutem juntos.Isso sim é quebra de confiança. Se chegaram a greve é porque não existe dialogo nesta empresa, tão hierarquizada como qualquer outra empresa capitalista.Com que moral vocês vão querer continuar escrendo sobre injustiças em outros setores se o mal vive dentro de casa.
ATÉ VÓS "CAROS AMIGOS"
Srs.(as), há muitos anos sou leitor e divulgador da Caros Amigos, sempre as comprei em bancas na minha cidade ou em viagens, e nunca perdi a oportunidade de conversar com familiares, amigos, trabalhadores das bancas e desconhecidos sobre a importância da mesma. Após a leitura sempre as destinei para conhecimento de terceiros, como por exemplo doá-las para biblioteca de escola pública ou mesmo deixá-las por algum tempo na sala de espera de meu consultório médico o que neste caso pode ser algo exótico ou não? Com a notícia que acabei de ler estou me sentindo pasmo e traído, mas sugiro que individual ou coletivamente os atingidos busquem a devida reparação por todos os meios necessários. Quanto ao fato da demissão coletiva penso que espelha uma situação terminal. Maucrice B. Costa - Vitória - ES
Demissão em massa na CA
Casa de ferreiro, espeto de pau.
Solidariedade
Em primeiro lugar, minha solidariedade aos profissionais demitidos. Demissão sempre é um horror. Durante uma greve, e em se tratando de um veículo com as propostas da Caros Amigos, certamente é algo muito pior.Sou leitor da revista desde o início, em 1997 e assinante há muitos anos. A notícia entristece bastante.Mas, antes, já entristecia perceber que, muitas vezes, a mídia de esquerda é bem parecida com a mídia corporativa: na falta de transparência com o leitor e, como este caso mostra, nas práticas.Parabéns ao Brasil de Fato por tornar pública esta (má) notícia.
adorei
fizeram muito bem em demitir. grevista tem de ir pro olho da rua, seja no setor privado, seja no público.
Demissão em massa na Caros Amigos
Que absurdo! Assino a revista há mais de dois anos e renovei minha assinatura na semana passada, sem saber do contexto que ela vive. A minha renovação de assinatura se deu exatamente pela qualidade dessa equipe, agora demitida. É lamentável tal episódio! Fiquei com vontade, se fosse possível, de cancelar minha assinatura. Criei fidelidade ao excelente trabalho destes jornalistas. Bem, tenho certeza de que esta despedida é revestida por grande dignidade, evidente na postura que tomam ao lidar com ela, crítica e esclarecedora do contexto precarizante que vivemos.
Lamentável ocorrido...
Olá aos leitores de Brasil de Fato e Caros Amigos. O sentimento de impotência que sinto agora não pode ser ablado nem mesmo com algumas palavras de solidariedade. Mesmo assim, esta é a finalidade do breve exerto que se segue. Sou assinante da Caros Amigos há cerca de 3 anos. No Fórum Social Mundial de 2010, em Porto Alegre, fiz a assinatura com alguns representantes da Revista. Inclusive tornei-me colega deles, pai e filho, trabalhando em conjunto. Adquiri, além da assinatura de três anos, duas coleções que, além de serem lindas - tanto no aspecto estético quanto político - serviram para minha formação acadêmica e política. A coleção Rebeldes Brasileiros e Hisstória da Ditadura Militar em cima dos fatos. Ambas com fotografias ótimas, textos enxutos e densos, um verdadeiro acervo histórico. Cujo preço de mercado, efetivamente, é quase preço de custo. Ao longo destes anos, levei o nome da revista Caros Amigos por onde andei. Apresentei a revista para amigos, para minha família, não sem dizer "isto é mídia de verdade, não é Rede Globo nem Jornal Nacional nem Veja" e também para a Universidade. Discuti muitas matérias com amigos e com alunos, nos breves momentos que gozei a oportunidade de ser professor universitário, claro, em estágio probatório. Considero que Caros Amigos, juntamente de Carta Capital e Brasil de Fato são três vertentes do jornalismo sério brasileiro. Não apenas sério, mas decente - já que há muito tempo a mídia convencional e hegemônica perdeu a decência, beirando à obscenidade, como bem apontou a professora Marilena Chaui. Considero que, neste processo, que culminou com a quebra contratual do corpo editorial, existem apenas vítimas. Todos sabemos que, mesmo num processo político entre dominados, a corda continua arrebentando do lado mais fraco. No entanto, que o diretor Wagner Nabuco saiba que perdeu, por livre escolha, jornalistas de altíssimo nível. Debora Prado, Otavio Nagoya, Hamilton Octavio e Gabriela Moncau são nomes que me remetem a textos e matérias importantíssimos para uma formação política e histórica crítica acerca da organização social do Brasil. Obviamente não estou querendo privilegiar uns em detrimento de outros, apenas sou sincero no que tange à minha memória imediata. Não foram uma ou duas vezes que citei artigos e matérias da revista Caros Amigos em meus trabalhos acadêmicos, seja a monografia de conclusão de curso na UNESP, quando me tornei bacharel em direito, seja nos artigos que escrevi durante o mestrado na UFSC. A informação engajada e crítica não possui um preço de mercado, um valor estipulado: a cultura não pode ser contabilizada em moeda. E a revista Caros Amigos, até o presente momento, sempre representou o interesse da cultura popular brasileira e da classe trabalhadora, sobretudo. Que estes insígnes jornalistas continuem trilhando o caminho de luta ao qual foram destinados. E que Wagner Nabuco tenha sorte em escolher outros jornalistas que tenham o mesmo nível intelectual e engajamento político destes que se vão. É com muito pesar que encerro estas breves considerações solidárias.
A pior notícia que já li à
A pior notícia que já li à respeito da Caros Amigos.Acabei de ler a belíssima matéria do Caio Zinet sobre a Fundação Ford.A mídia de esquerda, do pensamento crítico, que não faz o joguinho das grandes corporações, sempre passou por dificuldades de sobrevivência.É o preço que as alternativas pagam pela autonomia e compromisso com a verdade.É revoltante quando observamos as preferências do governo federal com as somas vultosas de verbas publicitárias direcionadas para a mídia reacionária que não o poupa em hipótese alguma, fazendo uso de manipulação de matéria, se preciso for.Parece que quanto mais apanha mais gosta ou porque quer aparecer bem na foto.Isso apenas contribui cada vez mais para o desmantelamento do pensamento crítico de qualidade.Boa sorte a todos.
Valorização do trabalho jornalístico.
Sou estudante de jornalismo, que apesar de achar a profissão fascinante, vivo em um mar de indecições sobre o meu futuro como jornalista. A notícia da demissão da equipe de redação da Caros Amigos, que estava exercendo seu direito à greve, um direito primordial ao trabalhador, foi mais um motivo para meu drama.Uma revista com a linha editorial da Caros Amigos tomar uma decisão drástica como essa, a mim só mostra o quão o jornalista se encontra desamparado em nosso país. As dificuldades financeiras da revista não justificam uma decisão sem negociação, enfim, é dificíl mesmo falar em auto-estima da profissão quando coisas desse tipo acontecem, coisa que não é excessão. A precarização da profissão é evidente e achar uma solução para isso só seria possível ser vislumbrada com a união dos profissionais de comunicação, coisa que infelizmente também não me dá muita esperanças, nem um sindicato descente os jjornalistas brasileiros podem contar...enfim, muito triste!
Boicotemos a Caros Amigos!
Não é porque ja trabalhei nesta revista, nem porque tenho muitos amigos la, nem porque minha companheira está entre as grevistas demitidas, que estou propondo isso. É por uma questão de coerência: vamos ser coniventes com trabalho precarizado e muitas vezes escravo, já que não remunerado (a lista de dívidas trabalhistas e colaboradores não pagos é imensa)? Vamos ser coniventes com o discurso de esquerda sustentando o enriquecimento pessoal de um péssimo patrão às custas de casos como, por exemplo, a demissão de uma mulher durante sua licença maternidade (veja depoimento no facebook dos grevistas) ou este de agora? Vamos aceitar ler um conteúdo de esquerda, destinando nossos esforços financeiros, de elaboração e de divulgação, para uma revista que não respeita o direito de greve nem os direitos trabalhistas mais mínimos? Vamos criticar a sonegação fiscal das grandes empresas e fortunas quando a Caros Amigos não paga os seus há mais de dez anos? Vamos criticar o dinheiro público que vai para publicidade das revistas da Abril e vamos aceita-lo indo para um sonegador e demitidor de grevistas? Eu tenho a mais absoluta tranquilidade para propor que NÃO. Infelizmente o legado e o ótimo conteudo produzido pela redação (e não pelo dono) da Caros Amigos está sendo jogado no lixo já há muitos anos, e esse evento não é novidade nenhuma pra quem acompanha a trajetória recente da publilcação, sobretudo após a morte do antigo editor Sérgio e a despeito dos esforços do agora demitido Hamilton. Se a direção da revista passasse para seus trabalhadores ou no minimo para alguem que seja digno de tal cargo, aí acho que era o caso de ajuda-la, trabalhar de forma militante, ajudar a um projeto de comunicação contra-hegemônica a seguir se consolidando - como fiz com a revista mesmo depois de sair, como faço com o Brasil de Fato, enfim. Como não é o caso, não vejo como duvidar por um segundo sobre em que lugar da trincheira os "proletários" devem se posicionar, a não ser que eles curtam uma exploração desavergonhada e sem caráter. A minha proposta é BOICOTE. As ferramentas de luta devem servir os trabalhadores, não o contrário. Outras publicações seguirão e surgirão, a Caros Amigos está morta - que viva a Caros Amigos e sua bela história!
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