Mutirão Rio 2016 Mutirão Rio 2016 2016-06-26T12:51:43Z http://mutiraorio2016.com/feed/atom/ WordPress Mutirão de Midia <![CDATA[Genocídio Negro no alto do pódio das Olimpíadas]]> http://mutiraorio2016.com/?p=339 2016-06-26T12:51:43Z 2016-06-26T12:49:31Z SEXTA, DIA 24 DE JUNHO  DIVERSAS FAVELAS DO RIO FORAM SUFOCADAS E TIVERAM SUAS VIDAS MAIS UMA VEZ ALTERADAS POR “OPERAÇÕES POLICIAIS” Por Maurício Campos Diversas favelas do Rio foram sufocadas e tiveram suas vidas mais uma vez alteradas (escolas e postos de saúde fechados, gente sem poder sair ou chegar em casa, etc) por […]

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SEXTA, DIA 24 DE JUNHO  DIVERSAS FAVELAS DO RIO FORAM SUFOCADAS E TIVERAM SUAS VIDAS MAIS UMA VEZ ALTERADAS POR “OPERAÇÕES POLICIAIS”

Por Maurício Campos

Diversas favelas do Rio foram sufocadas e tiveram suas vidas mais uma vez alteradas (escolas e postos de saúde fechados, gente sem poder sair ou chegar em casa, etc) por “operações policiais” absurdas que querem passar para a “opinião pública” interna e, principalmente, externa, a idéia de que a “crise de segurança” vai ser enfrentada à medida em que se aproximam as Olimpíadas…. E as favelas que paguem o pato.

“Segurança” para o asfalto e os turistas, nessa concepção bizarra e militar das elites, sempre tem significado insegurança e terror para as favelas e periferias.

Há dois anos vimos algo bem parecido, quando rolava a Copa. Mas também houve reação, organizada ou não, do povo das favelas, em plena Copa, apesar dos conselhos dos pelegos e governistas de que Copa não era momento de manifestação… No dia 23/06, aconteceu, começando no Chapéu Mangueira, tomando quase toda a extensão da Avenida Atlântica em Copacabana, e terminando no Pavão-Pavãozinho, o protesto “A festa nos estádios não vale as lágrimas na favela” (vejam, o vídeo do Jornal A Nova Democracia aqui:

O ato conseguiu chamar a atenção de muitos turistas e imprensa internacional.

Dois dias depois, 25/06, em mais uma “operação” assassina da PM, o pequeno Luiz Felipe, 3 anos, teve seu crânio destroçado por um tiro de fuzil enquanto dormia, na Quitanda, em Costa Barros, disparando um levante espontâneo de revolta da população do local, com carros e ônibus incendiados e pessoas desafiando o caveirão.

Dois anos depois, novo mega-evento, novos motivos para revolta…

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Mutirão de Midia <![CDATA[Crianças se protegem de tiros e bombas em escola na Maré]]> http://mutiraorio2016.com/?p=334 2016-06-24T19:28:14Z 2016-06-24T18:58:00Z Hoje as 10:40 da manhã alunos tiveram que se proteger no chão da escola por conta de tiros e bombas disparados em operação policial Educadores publicaram fotos em redes sociais em que mostravam seus alunos deitados no chão se protegendo dos tiros. Essa em destaque é da escola Uerê nesta manhã. Páginas em redes sociais […]

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Hoje as 10:40 da manhã alunos tiveram que se proteger no chão da escola por conta de tiros e bombas disparados em operação policial

Educadores publicaram fotos em redes sociais em que mostravam seus alunos deitados no chão se protegendo dos tiros. Essa em destaque é da escola Uerê nesta manhã. Páginas em redes sociais de comunicadores comunitários começaram o dia cobrindo a operação policial e a apreensão dos moradores no meio do fogo cruzado. E principalmente denunciando os dias de guerra que vem enfrentando.

Diversas favelas da cidade estão na mira do fuzil com a rotina de operações policiais que visam incorporar a agenda de “segurança” para a realização dos jogos olímpicos.

O Complexo da Maré, que esteve ocupado durante um ano pelo exército, e está diante da possibilidade de ser ocupado novamente – com o pacote de ajuda do governo federal para a cidade olímpica – está posicionado em território estratégico para o cinturão de segurança máxima que pretendem fazer os governantes, no trecho que compreende o aeroporto internacional até a zona sul-turística da cidade.

A ilusão da segurança para os turistas que desembarcarão no Rio é criada as custas da vida de moradores de favelas que ficam na linha de tiro diariamente, lembrando que as operações policiais são concentradas nos horários de entrada e saída escolar, segundo moradores sempre dizem: “porque usam os moradores de escudo em suas operações policiais”.

Esta foto evidencia o risco que vivem crianças e jovens estudantes. A escola estava vazia e ninguém ficou ferido, mas teve janelas e a entrada da biblioteca atingidas por balas.

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Mutirão de Midia <![CDATA[Eles Continuam Atirando]]> http://mutiraorio2016.com/?p=323 2016-06-23T21:17:36Z 2016-06-23T18:10:22Z A morte é algo que se tornou extremamente banal no Brasil, principalmente quando as vítimas são negras e moradoras de favela. Texto – Bruno Rico Antes de qualquer coisa, a mídia e a sociedade precisam puxar o “nada consta” do cadáver, pois uma vítima preta e favelada não pode ser “simplesmente” assassinada, ela ainda precisa […]

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A morte é algo que se tornou extremamente banal no Brasil, principalmente quando as vítimas são negras e moradoras de favela.

Texto – Bruno Rico

Antes de qualquer coisa, a mídia e a sociedade precisam puxar o “nada consta” do cadáver, pois uma vítima preta e favelada não pode ser “simplesmente” assassinada, ela ainda precisa ter sua vida investigada após a morte, é como se tivéssemos morrido devendo algo, e isso é muito curioso para um país que possui uma dívida histórica com os negros. O fato é que esse tipo de averiguação acontece em rigorosamente todos os casos, todos! Sem exceção, sem se importar se o corpo caído no chão é de criança, idoso ou mulher, a sociedade brasileira simplesmente assimila esses corpos a corpos de bandidos, e isso faz parte de uma cultura do racismo que quase ninguém gosta de falar, pois tocar nessas feridas sociais é sempre muito delicado, e a palavra vitimista sempre surge como um eco em algum canto da sala.

Se amanhã, eu, homem preto, morador de um morro carioca, for atingido na porta da minha casa, pode ter certeza que eu não serei notícia, e se por ventura eu vier a ser, é certo que a equipe de reportagem irá vasculhar um pouco da minha vida, e mesmo assim ainda é capaz que eu seja noticiado como suspeito em algum site de notícias qualquer, sendo, inclusive, prontamente execrado nos comentários da página. Ah, os comentários, eles são sempre um reflexo deste país que insiste em camuflar a sua face extremamente racista.

O fato é: esse tipo de morte é algo mais do que banalizado por essas terras, mas mesmo assim, mesmo com esse senso comum imperando, existem alguns casos que rompem essa barreira, de tão incrivelmente absurdos que foram; e o caso da chacina dos jovens de Costa Barros foi um desses. Cinco meninos que curtiam o seu domingo de lazer, saem de um parque, partem para fazer um lanche e no caminho são fuzilados com 111 TIROS dados por policiais militares, que segundo testemunhas, ainda sorriam enquanto metralhavam o veículo; pera aí que eu vou escrever por extenso e em caixa alta para dar mais ênfase: eu estou falando de CENTO E ONZE TIROS! Em cinco jovens inocentes, desarmados e indefesos, com um agravante: todos morreram com tiros dados pelas costas (comprovado pelo laudo) e os PMs assassinos (desculpe o pleonasmo) ainda tentaram plantar uma arma falsa no local (o que também foi comprovado por perícia); entenderam a gravidade? Eu tenho certeza que não. Se o povo realmente tivesse entendido a importância disso, principalmente o povo preto e favelado, esse país tinha parado no dia seguinte e hoje esses assassinos não estariam soltos.

Pois é, eles estão soltos, ganharam Habeas corpus essa semana, é como se o estado tivesse novamente atirando e buscando quebrar o recorde da Olimpíada de assassinato de pretos, já que esse número de 111 tiros é considerado recorde até mesmo nas execuções dos países do Oriente Médio, declaradamente em guerra. Entenderam a gravidade? Não, eu sei que ainda não entenderam. Se tivessem entendido, as duas primeiras audiências teriam ficado lotadas e teriam parado o Centro do Rio de Janeiro, mas elas não encheram; na primeira, que estava extremamente vazia, os familiares foram intimidados até mesmo pelos próprios  assassinos do estado, que a todo o momento olhavam em tom de ameaça. A segunda audiência ficou um pouco mais cheia e os meganhas ficaram o tempo todo de cabeça baixa, sequer olharam nos olhos de alguém da plateia, pois o povo estava lá, abraçado com os familiares, apoiando, e eles sentiram isso; mas mesmo assim ainda é pouco!

Agora teremos a terceira audiência, que ao que tudo indica, será a última, marcada para o dia 4 de julho. Na primeira audiência foram ouvidas as testemunhas de acusação, na segunda foi a vez das testemunhas de defesa dos policiais (saí até com o estômago embrulhado de tanta asneira que fui obrigado a ouvir) e agora serão ouvidos os próprios policiais, que terão suas declarações confrontadas com o laudo de reconstituição do crime.

Dia 4 de julho é dia da independência dos EUA, mas aqui no Brasil será o dia em que o povo preto e favelado fará história, pois precisamos colocar esses vermes novamente na cadeia, lugar que eles nunca deveriam ter saído. Agora só há uma alternativa: comoção e manifestação popular. Pretos, brancos, favelados, estudantes, classe trabalhadora num geral, enfim, todos que se sensibilizam com a causa precisam estar presentes dessa vez, a porta do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro precisa ver o clamor de justiça nos nossos olhos.

Eu acredito muito que esse dia possa ser um dia histórico, mas para isso você precisa entender realmente esse caso, pois os familiares entendem isso todos os dias e todas as horas, e a dor só aumenta ao saber que os assassinos estão soltos, eles precisam da gente! Nós precisamos de nós! O estado vai ter que entender – na marra – que se um cair, todos irão se levantar.

Se você não entender isso, meu irmão e minha irmã, fique em casa, continue tomando a sua dose de alienação, sentado no banco da covardia; só não reclame quando uma bala atravessar a sua janela e acabar com tudo o que você chama de vida, pois aí já será bem tarde.

E aí, vamos realmente deixar que eles continuem atirando? Você não está sentindo isso na sua carne? Pois eu estou, e sangra mais por dentro do que por fora.

Dia 4 de julho, não se esqueçam! Nós por nós!

Link do ato: https://www.facebook.com/events/1192163944168875/

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Mutirão de Midia <![CDATA[Carlos Latuff apresenta o verdadeiro ingresso dos Jogos Olímpicos]]> http://mutiraorio2016.com/?p=315 2016-06-23T22:15:05Z 2016-06-22T16:33:51Z O Cartunista carioca Carlos Latuff apresentou sua versão do ingresso dos jogos no Rio2016 O destaque para uma olimpíadas realizada as custas da vida de dezenas de jovens negros moradores de favelas, exterminados pela política de segurança racista e genocida das UPPs, desmoraliza o fetiche criado pelos ingressos dos jogos. De fato a festa olímpica não […]

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O Cartunista carioca Carlos Latuff apresentou sua versão do ingresso dos jogos no Rio2016

O destaque para uma olimpíadas realizada as custas da vida de dezenas de jovens negros moradores de favelas, exterminados pela política de segurança racista e genocida das UPPs, desmoraliza o fetiche criado pelos ingressos dos jogos.

De fato a festa olímpica não é para o povo carioca, que vê dia-a-dia a polícia militar invadir suas casas e disparar contra pessoas inocentes.

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Mutirão de Midia <![CDATA[Mais uma vítima da polícia em Manguinhos]]> http://mutiraorio2016.com/?p=310 2016-06-22T01:28:48Z 2016-06-21T23:27:42Z O SINO TOCOU MAIS UMA VEZ NO CEMITÉRIO DO CAJU E MAIS UMA FAMÍLIA CHOROU EM LUTO Artigo de Victor Ribeiro – MidiaColetiva.Org Ano passado, por ocasião do meu trabalho com o Jornal A Nova Democracia, acompanhei 6 velórios de jovens assassinados a tiros por policiais militares. Por conta de nossa ação de verificação, procuramos as famílias que […]

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O SINO TOCOU MAIS UMA VEZ NO CEMITÉRIO DO CAJU E MAIS UMA FAMÍLIA CHOROU EM LUTO

Artigo de Victor Ribeiro – MidiaColetiva.Org

Ano passado, por ocasião do meu trabalho com o Jornal A Nova Democracia, acompanhei 6 velórios de jovens assassinados a tiros por policiais militares. Por conta de nossa ação de verificação, procuramos as famílias que tem seus filhos assassinados pela polícia para sobretudo, contestar a versão “oficial” divulgada pela imprensa racista, que sempre coloca a vítima como suspeita. E contemplar a versão da família e dos moradores como a versão oficial.

No dia 20 de junho fomos prestar solidariedade a família de Aliston Ancelmo Ferreira de 17 anos, morto na madrugada do dia 18 quando estava em uma festa na favela de Manguinhos. Aliston foi atingido pelas costas com um tiro de fuzil quando tentava se proteger junto aos outros participantes da festa, do ataque do caveirão (temível veículo blindado da polícia do Rio e que é o chofeur da morte).

Assim que cheguei abracei Ana Paula Oliveira (mãe de outro jovem morto em Manguinhos – veja aqui), e ela me disse: “Mais uma vez meu amigo, nos vemos no cemitério, mais um jovem assassinado”.

Foi um dos velórios mais duros pra mim, nesses idos de verificação da morte na cidade do Rio de Janeiro. Na verdade o caso de Aliston se parecia com todos os outros anteriores: jovem inocente, negro, de favela ‘pacificada’, morto com tiro de fuzil, cujo futuro foi interrompido pela farsa da segurança para os jogos olímpicos na cidade.

Mas dessa vez ver a família simples de Aliston derramando suas lágrimas sobre um caixão sem coroa de flores, tantos jovens abraçados olhando o corpo imóvel do amigo, a mãe precisando ser amparada tamanho sofrimento…não consegui resistir. Me retirei e precisei chorar.

Marlon de 16 anos, amigo de Aliston que estava na mesma festa me contou: “Eles chegaram de madrugada e começaram a atirar. Todo mundo saiu correndo. Teve muita gente que se machucou na correria. Poderia ter morrido muita gente”. Alguém lhe perguntou: “E você vai continuar indo pro baile?” Marlon respondeu: “Nunca mais tia, nunca mais eu vou pro baile”.

Triste realidade da juventude de favela cujo espaço de divertimento e lazer é um campo de guerra. Cujo prazer é posto na balança com a necessidade de sobreviver.

As palavras do pastor confortavam parentes amigos, quando alguém me avisa da suspeita de um P2 no velório. De fato havia um sujeito parado próximo ao velório e algum momento parecia tomar fotos dos presentes. Me aproximei e lhe disse: “Meus sentimentos. Veio velar seu parente?” E o sujeito se esquivou e desapareceu na multidão de pessoas tristes que velavam seus entes no cemitério. Não sem antes ser registrado pelos celulares dos presentes.

O sino tocou mais uma vez no Cemitério do Caju, e la fomos nós em cortejo até o setor de covas rasas onde Aliston seria enterrado.

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Fotos: Victor Ribeiro

O procedimento foi rápido e o coveiro informou: “Cova 73.491. Anotem esse número para saber onde ele está enterrado”.

A vó de Aliston precisou ser amparada por parentes porque mau conseguia se manter de pé, ao mesmo tempo que jovens amigos olhavam a cova sem descolar o olho dela, em um profundo sinal de despedida que ficou gravado na minha memória.

Aos poucos parentes foram deixando o túmulo de Aliston e Ana Paula chegou próximo a mim disse: “Vou visitar o túmulo do Johnatha, nos vemos la na entrada do cemitério”.

No final, já em frente ao ônibus que trouxe o pessoal de Manguinhos pro velório, o pai de Aliston veio em nossa direção e disse que queria gravar uma entrevista para que divulgássemos a versão da família sobre o caso. Sobretudo porque a única cobertura na TV Record, dentre outras grosserias típicas do jornalismo irresponsável dessas emissoras, disse que a morte ocorrera na favela do Jacaré, o que evidencia o total descaso com a memória da vítima e o conforto da família.

Pai de Aliston, Paulo Roberto Ferreira de 58 anos nos contou: “As meninas foram na minha casa me chamar…Quando cheguei no campo (onde ocorria a festa) encontrei o corpo do meu filho no chão baleado…Eles (que estavam na festa) ficaram encurralados pela polícia, que não deixava ninguém sair pra se proteger dos tiros. Também não me deixaram socorrer o meu filho, mas mesmo assim eu agarrei ele me sujei todo de sangue e fui pro UPA onde foi decretado o óbito dele. Não sei se é por causa das Olímpiadas, mas estamos pagando muito caro por isso, porque querem fazer como se o Rio estivesse seguro. Eu acredito mais na justiça de Deus que na nossa aqui”. Eu também, seu Paulo, foi o que pude responder.

O Rio de Janeiro tem cheiro de morte.

 

*Em breve vídeo do Jornal A Nova Democracia com Patrick Granja

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Mutirão de Midia <![CDATA[A tocha olímpica escorre sangue!]]> http://mutiraorio2016.com/?p=306 2016-06-20T12:29:49Z 2016-06-20T11:21:45Z Em nome de uma tal PAZ, morremos todos os dias. Seria isso uma postagem, ou um diário de guerra? Texto Por Raull Santiago e Foto por Carlos Cout Logo no inicio da tarde, chegaram as primeiras mensagens de moradores da localidade FAZENDINHA, no Complexo do Alemão, informando que havia uma operação policial, que já houveram confrontos e que […]

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Em nome de uma tal PAZ, morremos todos os dias. Seria isso uma postagem, ou um diário de guerra?

Texto Por Raull Santiago e Foto por Carlos Cout

Logo no inicio da tarde, chegaram as primeiras mensagens de moradores da localidade FAZENDINHA, no Complexo do Alemão, informando que havia uma operação policial, que já houveram confrontos e que nós, outros moradores, deveríamos evitar a área. Em seguida, o mesmo foi dito sobre o loteamento da Nova Brasília, área vizinha a fazendinha.

Os confrontos se intensificaram e passaram a ser ouvidos por parte da favela, gerando aquela tensão terrível, de quando estamos em dia de guerras.
Logo começaram a chegar notícias desesperadoras, sobre moradores/as feridos/as, bens desse moradores/as danificados, alguns alvejados por tiro, ou por consequência da presença do carro blindado da polícia militar, conhecido por nós como: CAVEIRÃO.

O clima só piorava e chegou ao cúmulo da sensação de revolta, quando veio a notícia de que um jovem, alvejado, encontrava-se em estado grave num hospital e que uma senhora, também atingida por tiro, não havia resistido aos ferimentos e faleceu, na UPA do Complexo do Alemão. Após isso, os confrontos se intensificaram ainda mais no Complexo do Alemão. O CHOQUE FPÖ chamado, várias viaturas apareceram na favela e também 2 veículos blindados.

Por volta das 20h, nos reunimos ( Carlos Cout – ‪#‎ColetivoPapoReto‬, Allex Leko – ‪#‎SoltaVozMorador‬, Renato Moura – ‪#‎VozdaComunidade‬ e eu) e fomos, com nossas câmeras e celulares, fazer uma ronda na favela, para entender a gravidade da situação. Passamos na UPA, onde haviam 5 viaturas da PM, muitos policiais e parentes da senhora que havia falecido, alvejada nessa guerra.

Descemos a Itararé, pegamos a Itaoca e passamos pela entrada da Brasília, Fazendinha e subimos o morro pela área 5. Nestes 3 últimos percursos, vimos muitos policiais da PM éo caveirão entrando na Fazendinha. Dá área 5, seguimos por dentro da favela, pela rua principal – caminho das kombis, onde a presença de policiais PM e CHOQUE eram aos montes, além de caveirão, parado frente a base/container que fica na entrada do Campo do seu Zé.

Nessa hora, olhamos para o chão e haviam muuuuuuitas pedras, garrafas quebradas, um caos que indicava enfrentamento não armado, de moradores com os PMs da base. Fomos conversar com os moradores sobre o que havia acontecido e fomos informados do seguinte: “PMs mataram a senhora, em um momento onde os confrontos haviam cedido. Ela saiu de casa e foi buscar o neto dela, que estava abrigado do outro lado, no campo, então a policia atirou. Não podíamos aceitar mais uma morte, quase da mesma forma como fizeram com o Sherek (moto taxista assassinado pela PM meses atrás). Fomos para cima deles, estão nos matando. Ou vão dizer que a senhora, desarmada, oferecia algum risco?”

Infelizmente, por conta de uma política de segurança que não inclui a nós, moradores/as de favela, mais inocentes estão feridos ou mortos.

É inaceitável. Estamos sendo exterminados!

‪#‎BASTADISSO‬. Precisamos reagir, FAVELA!
‪#‎TáTudoErrado‬ na forma como dizem enfrentar o mercado das drogas, onde através do discurso de “Guerra as Drogas”, destroem a favela, diariamente.

Em momento algum, em anos, se mudou a tática, tendo em vista que morrem todos: varejista da droga, policial militar, moradores, mas nada muda.
E nem mudará, dessa forma falsa, que gera lucro para muitos que não são da favela, mas dominam o mercado das drogas, das armas, dos esquemas de corrupção, estes que enriquecem toda vez que escorre o nosso sangue.

A UPP não faliu, COMEÇOU ERRADA, quando o estado e governo federal, repetiram o erro de olhar para o morador de favela, através da secretaria de segurança, através da mira do fuzil de um policial, APENAS.

QUE AVANÇO É ESSE?

Em nome de uma tal PAZ, morremos todos os dias.
Seria isso uma postagem, ou um diário de guerra?

‪#‎NósporNós‬
‪#‎FavelaSempre‬
#ColetivoPapoReto

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Mutirão de Midia <![CDATA[Sempre há uma luz no fim do túnel]]> http://mutiraorio2016.com/?p=295 2016-06-20T12:29:58Z 2016-06-18T13:22:08Z Eu lembro bem, era 17/06/2013, exatamente há três anos atrás. Era uma noite como a de hoje, fria, mas era impossível ter sentido frio aquele dia. As ruas estavam lotadas, os cantos entoavam um atrás do outro: “vem pra rua vem”, “ole ole, ole, olá, se a passagem não abaixar, o rio, o rio, o […]

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Eu lembro bem, era 17/06/2013, exatamente há três anos atrás. Era uma noite como a de hoje, fria, mas era impossível ter sentido frio aquele dia. As ruas estavam lotadas, os cantos entoavam um atrás do outro: “vem pra rua vem”, “ole ole, ole, olá, se a passagem não abaixar, o rio, o rio, o rio vai parar”.
Por Hare Brasil – Coletivo Mariachi

Havia esperança por todos os lados, em todos os olhares e sorrisos. Sabe aquele clima de “essa vez vai, essa vez tudo muda?”

Bem, há quem defina com veemência ser aquele um movimento de esquerda. Eu tenho minhas dúvidas. Acho que éramos muito mais que isso. Muito mais que um rótulo político divisional, e olha que não sou “destro”. Havia quem nunca tivesse ido a um protesto, havia caras pintadas, havia bandeiras vermelhas, havia bandeiras do Brasil. Abraços em desconhecidos. Sim, diga a todos, o gigante acordou.

A partir daquele dia, muitas vidas não seriam mais as mesmas, inclusive a minha. Éramos uma grande família. Mexeu com um, mexeu com todos!

Hoje, três anos depois, olha que ironia do destino, o Estado do Rio de Janeiro decreta falência. O mesmo Estado que criminalizou a esperança. O mesmo Estado que prendeu a esperança. Uma vez ouvi de um velho sábio: “Nunca julgue a profecia até que ela se cumpra”. E se cumpriu, o que denunciávamos aconteceu. Lembra do “não vai ter copa”, é, teve. Pagamos a conta.

Hoje as vozes não são mais tão forte, estão entaladas sem a mesma esperança. Ao redor, desolação, e não é uma questão de classe média afetada. Todos somos vítimas não meramente de um governo corrupto, mal gestionado, mas vítimas da desesperança e do medo!

A voz não sai, mas o coração ainda pulsa e enquanto pulsar podemos voltar a acreditar. Aliás, a esperança nunca morre, minha mãe dizia ser a última a morrer, bem, ainda tem umas 7 bilhões de pessoas na frente.

Por fim, não me espanta o caos que estamos vivendo. Me espanta o nosso silêncio. Ainda pulsa o coração. Há quem ache que estamos derrotados, mas que saibam que ainda estão rolando os dados, porque o tempo, o tempo não para! E nisso consiste a minha, nossa frágil esperança.

‪#‎VemPraRua2016‬

Foto: Mauricio Campos

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Mutirão de Midia <![CDATA[3 anos depois da “Batalha da ALERJ”]]> http://mutiraorio2016.com/?p=291 2016-06-20T12:30:08Z 2016-06-18T12:52:29Z O protesto no Rio de Janeiro foi o maior do Brasil no dia 17 de junho, e contou com mais de 150 mil pessoas. Quando chegou a ALERJ, manifestantes se depararam com um grupo de policiais ocupando as escadarias que, em 50 anos de lutas populares, foi refúgio das maiores manifestações que aconteceram no Rio de […]

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O protesto no Rio de Janeiro foi o maior do Brasil no dia 17 de junho, e contou com mais de 150 mil pessoas.

Quando chegou a ALERJ, manifestantes se depararam com um grupo de policiais ocupando as escadarias que, em 50 anos de lutas populares, foi refúgio das maiores manifestações que aconteceram no Rio de Janeiro. .

Uma verdadeira chuva de pedras, paus, morteiros e coquetéis molotov forçou as tropas policiais a entrarem no prédio. Os PMs permaneceram por horas no interior do edifício cercado pela fúria de milhares de pessoas.

Os movimentos estavam na rua lutando contra o aumento da tarifa do transporte público, mas também contra a Copa do Mundo da FIFA, os Jogos Olímpicos, o extermínio de jovens negros das favelas pela UPP.

O vídeo, que já se tornou histórico da equipe de audiovisual do Jornal A Nova Democracia, revela os primeiros 6 minutos em que a massa indignada parte pra cima da polícia, em um ato de coragem que inflamou literalmente os protestos seguintes na cidade e no país todo. Até hoje se escuta nos atos “Rio de Janeiro sensacional, tomou ALERJ, de pedra e pau…”

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Mutirão de Midia <![CDATA[Lei anti terrorismo para as Olimpíadas]]> http://mutiraorio2016.com/?p=287 2016-06-20T12:30:16Z 2016-06-17T22:20:29Z A Câmara dos Deputados aprovou no dia 24 de fevereiro o projeto de lei do governo que tipifica o crime de terrorismo. Agora a proposta segue para a presidenta da república, podendo ser aceita total ou parcialmente. Movimentos sociais temem que atos e manifestações serão enquadrados como terrorismo, visto que o país vive um momento […]

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A Câmara dos Deputados aprovou no dia 24 de fevereiro o projeto de lei do governo que tipifica o crime de terrorismo.

Agora a proposta segue para a presidenta da república, podendo ser aceita total ou parcialmente.

Movimentos sociais temem que atos e manifestações serão enquadrados como terrorismo, visto que o país vive um momento de escalada de criminalização e perseguição contra ativistas que se levantaram contra os megaeventos esportivos e o modelo extrativo-econômico.

O GAFI (Grupo de Ação Financeira Internacional) – estabelece o dever de combater o terrorismo para cumprir acordos internacionais firmados pelo Brasil. Criando um rede de proteção para garantir a “integridade” do sistema financeiro.

Os cinco países que receberam o selo – Bélgica, Egito, Itália, Tunísia e EUA) criaram aparatos de segurança que coibiram movimentos sociais.

No Rio de Janeiro os processos dos presos da Copa do Mundo, as remoções para Olimpiadas, militarização de favelas, projetos como Porto Maravilha, criminalização de protestos e etc, já antecipam esses efeitos.

Quando tal integridade está associada à megaevento esportivo, os movimentos sociais – tornam-se fonte de riscos direta para os negócios.

Foto: Tânia Rego

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Mutirão de Midia <![CDATA[Decretado estado de calamidade pública pelo governador Francisco Dornelles]]> http://mutiraorio2016.com/?p=283 2016-06-17T22:13:59Z 2016-06-17T22:09:48Z A calamidade pública já bem sentida pela população carioca foi notada recentemente pelo governador, que decidiu decretar estado de calamidade pública hoje, devido à grave crise financeira que afeta o Estado. No decreto, o governador autoriza as instituições do Estado a cortarem serviços de forma a garantir dinheiro para a realização dos jogos olímpicos. Sim […]

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A calamidade pública já bem sentida pela população carioca foi notada recentemente pelo governador, que decidiu decretar estado de calamidade pública hoje, devido à grave crise financeira que afeta o Estado.

No decreto, o governador autoriza as instituições do Estado a cortarem serviços de forma a garantir dinheiro para a realização dos jogos olímpicos.

Sim leitores, no decreto é visível que a preocupação é com os jogos olímpicos, não com os salários atrasados dos servidores, não com a prestação de serviços à população.

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Art. 1º- Fica decretado o estado de calamidade pública, em razão da grave crise financeira no Estado do Rio de Janeiro, que impede o cumprimento das obrigações assumidas em decorrência da realização dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016.
Art. 2º- Ficam as autoridades competentes autorizadas a adotar medidas excepcionais necessárias à racionalização de todos os serviços públicos essenciais, com vistas à realização dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016.
Art. 3º – As autoridades competentes editarão os atos normativos necessários à regulamentação do estado de calamidade pública para a realização dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016.

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